A tecnologia chegou às obras
A automação, que já faz parte de fábricas e escritórios, também está chegando à construção civil. Em países como Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e parte da Europa, robôs estão sendo usados para assentar tijolos e ajudar em tarefas pesadas.
O principal motivo para esse avanço é a falta de profissionais qualificados. Muitas construtoras têm dificuldade para contratar trabalhadores especializados, o que tem acelerado a busca por novas tecnologias.
Falta de trabalhadores impulsiona mudanças
Na Austrália, por exemplo, um estudo publicado em 2025 apontou problemas como baixa produtividade, envelhecimento da força de trabalho e escassez de profissionais da construção.
Ao mesmo tempo, a demanda por moradias aumentou. O governo australiano pretende construir 1,2 milhão de casas entre 2024 e 2029, mas o ritmo atual das obras está abaixo do necessário. Nesse cenário, os robôs passaram a ser vistos como uma forma de ajudar o setor a atender essa demanda.
Máquinas que trabalham rápido
Um dos projetos mais conhecidos é o Hadrian X, desenvolvido na Austrália. O robô utiliza um braço mecânico para posicionar blocos de construção com precisão e pode assentar até 360 blocos por hora. Segundo a fabricante, ele é capaz de concluir as paredes de uma casa em apenas um dia.
Nos Estados Unidos, o robô SAM100 chamou atenção ao conseguir instalar um tijolo a cada oito segundos. Em uma obra realizada em 2018, seu desempenho foi comparado ao trabalho de cinco pedreiros.
Nem tudo funciona tão facilmente
Apesar dos avanços, os robôs totalmente autônomos ainda enfrentam desafios. O custo elevado, a necessidade de preparação antes do uso e as dificuldades para trabalhar em terrenos irregulares ou espaços apertados limitaram a expansão de alguns modelos.
Pesquisadores apontam que o SAM100 pode ter sido descontinuado justamente por causa desses obstáculos.
Humanos e robôs trabalhando juntos
Por causa dessas limitações, muitas empresas passaram a investir nos chamados “cobots”, robôs colaborativos que ajudam os trabalhadores em vez de substituí-los.
Um exemplo é o sistema MULE, criado para auxiliar operários a levantar blocos pesados e reduzir o desgaste físico. Esse tipo de tecnologia pode até permitir que profissionais mais velhos permaneçam ativos por mais tempo na profissão.
Pesquisas continuam avançando
A Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, também está estudando formas de colaboração entre humanos e máquinas. Em um projeto divulgado em 2026, um robô posiciona os tijolos enquanto um trabalhador aplica o adesivo necessário para a construção.
O sistema utiliza sensores a laser para corrigir pequenos erros automaticamente e conseguiu manter desvios de apenas um milímetro durante os testes.
Os empregos estão em risco?
O avanço dos robôs gera opiniões diferentes. Em países que enfrentam falta de trabalhadores, a tecnologia costuma ser vista como uma solução. Já em outros locais, alguns profissionais temem perder espaço para as máquinas.
No Reino Unido, por exemplo, os testes com robôs pedreiros começaram em meio à falta de cerca de 25 mil profissionais necessários para cumprir as metas de construção de moradias.
Como será o futuro das obras?
Especialistas acreditam que o futuro será marcado pela parceria entre humanos e robôs. As máquinas devem assumir tarefas repetitivas, pesadas e de alta precisão, enquanto os trabalhadores continuarão responsáveis pela supervisão, adaptação, acabamento e tomada de decisões.
Por isso, a tendência atual não é a substituição total dos pedreiros, mas uma nova forma de trabalho em que tecnologia e experiência humana atuam lado a lado.