Entrar no mercado de trabalho sem experiência anterior pode parecer um desafio. Para muitos jovens, entretanto, a primeira oportunidade profissional também representa o início de uma fase marcada por descobertas, responsabilidades e novas possibilidades.

A própria estrutura da aprendizagem profissional combina formação teórica e vivência prática, criando uma ponte entre educação e trabalho. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a modalidade registrou 671,65 mil vínculos ativos em 2025, crescimento de aproximadamente 10,17% ante o ano anterior.

Com esse cenário, surge uma dúvida importante para quem está começando: como se destacar como jovem aprendiz? A resposta passa menos pelo currículo e mais pela postura.

O que faz um jovem aprendiz se destacar?

Para Jéssica Sudré Barbosa, psicóloga e gestora do Núcleo Psicopedagógico do Saber, a vontade de se desenvolver aparece entre os principais diferenciais. “Jovens com interesse genuíno em aprender, escuta ativa, responsabilidade com horários e tarefas e uma postura respeitosa tendem a ser percebidos rapidamente”, explica. Além disso, a especialista destaca adaptação, organização, comunicação e capacidade de receber feedbacks como competências importantes durante a experiência profissional. 

Esse processo também aparece na trajetória de Bruna Furtado Cubas, aprendiz do Grupo 7y. Para ela, a experiência trouxe mudanças concretas para sua rotina. “Estou adquirindo experiência, responsabilidade e novos conhecimentos para meu crescimento profissional.”

A aprendizagem não se resume à execução de tarefas. Conforme o jovem passa a conviver com diferentes profissionais, prazos e responsabilidades, também começa a construir sua própria identidade profissional.

Comunicação pode abrir portas no primeiro emprego

Entre as habilidades valorizadas nesse início está a comunicação. Saber pedir ajuda, apresentar uma ideia, ouvir orientações e conversar com diferentes pessoas facilita a adaptação ao ambiente corporativo.

Bruna percebe essa construção como parte importante da formação e recomenda uma postura ativa para outros jovens: “nunca desistam, tenham confiança em si mesmos e aproveitem cada oportunidade de aprendizado.”

A orientação combina com a análise de Jéssica. Segundo ela, profissionais em início de carreira podem se destacar ao demonstrar curiosidade, autonomia progressiva, capacidade de trabalhar em equipe e comprometimento com a própria evolução.

Não se trata, portanto, de esperar dominar todas as atividades antes de agir. O desenvolvimento acontece justamente durante a prática, especialmente quando existe abertura para aprender com erros, orientações e novas experiências.

Pontualidade e responsabilidade também contam

Em uma rotina profissional, pequenos hábitos podem revelar muito sobre a postura de um jovem. Chegar no horário, cumprir combinados, acompanhar tarefas e respeitar colegas são atitudes simples, mas capazes de construir confiança.

Na visão de Jéssica, atrasos frequentes, falta de comprometimento, resistência a orientações e dificuldade de convivência podem prejudicar o desenvolvimento profissional. Por outro lado, responsabilidade e disposição para evoluir ajudam a criar uma relação positiva com a equipe.

A experiência da Tower reforça essa importância. Segundo Flávia Faccio, analista de RH da empresa, a parceria trouxe maior agilidade para o acompanhamento dos aprendizes, inclusive com acesso a informações sobre desempenho e ausências após a capacitação teórica. “Hoje temos informações rápidas e precisas, além do apoio de uma equipe pedagógica”, relata. A mudança também favoreceu o envolvimento dos jovens com a formação e as atividades corporativas.

Formação teórica também faz parte do desempenho

Existe uma tendência de associar a experiência profissional apenas à rotina dentro da empresa. No entanto, a aprendizagem profissional possui justamente uma característica diferente: une formação e prática.

O MTE define a modalidade como uma contratação capaz de combinar formação teórica e experiência prática, além de assegurar direitos trabalhistas e previdenciários aos jovens. Por isso, participar das atividades formativas, manter frequência e levar os conteúdos para o cotidiano profissional fazem parte da construção de carreira. Para Bruna, essa combinação ajuda a desenvolver organização, comunicação e responsabilidade, competências úteis muito além do primeiro contrato.

Primeiro emprego pode ser início de uma trajetória

A entrada no mercado representa além de uma linha adicional no currículo. Para quem ainda está construindo suas referências profissionais, cada experiência pode ajudar a descobrir interesses, desenvolver habilidades e ampliar perspectivas.

O próprio crescimento da aprendizagem profissional mostra a relevância desse caminho. Em 2025, o país chegou a 671,65 mil vínculos ativos de aprendizes, enquanto o potencial estimado de vagas alcançou 1,12 milhão.

Ainda existe espaço para ampliar essa inserção. Para o jovem, isso significa também uma oportunidade de começar com formação, acompanhamento e experiência prática. No fim, destacar-se não exige chegar pronto. Exige disposição para aprender, responsabilidade para cumprir cada etapa e coragem para transformar a primeira oportunidade em ponto de partida.