O início da vida profissional traz oportunidades, mas também dúvidas, inseguranças e desafios muito além das atividades do dia a dia. Para muitos aprendizes, essa experiência acontece enquanto conciliam os estudos, as responsabilidades familiares e outras questões pessoais. Nesse contexto, o Núcleo Psicopedagógico do Saber Aprendizes desempenha um papel fundamental: oferecer escuta, acolhimento e orientação para dar a cada participante as condições de aprender, amadurecer e construir sua trajetória no mundo do trabalho.
Nessa matéria, profissionais de diferentes unidades compartilham como esse acompanhamento acontece na prática. Os relatos mostram como esse trabalho considera o jovem em sua integralidade, reconhecendo suas necessidades, incentivando sua autonomia e estabelecendo uma relação de parceria com as empresas contratantes.
Apoio ao desenvolvimento dos jovens aprendizes
O acompanhamento psicopedagógico contribui para o desenvolvimento de competências importantes para a vida profissional e pessoal. Além de preparar o jovem para as demandas corporativas, esse processo fortalece o autoconhecimento e ajuda a lidar com frustrações, mudanças e responsabilidades. “O trabalho do nosso setor contribui para o desenvolvimento de habilidades comportamentais essenciais para o mercado de trabalho. Então, comunicação, gestão de tempo, gestão de conflitos, trabalho em equipe, autonomia. E tudo isso fortalece o autoconhecimento e permite que ele lide com os desafios, com as frustrações, de uma maneira mais saudável”, Amanda Giglioli, psicóloga da unidade da Avenida Paulista.
Esse desenvolvimento também passa pelo reconhecimento do próprio papel na aprendizagem. Para Gabriela Paz, psicóloga da unidade de Guarulhos, é importante ajudar o jovem a perceber sua responsabilidade no processo, sem deixar de oferecer o suporte necessário. “A gente trabalha, principalmente, trazendo essa reflexão dele ser protagonista do próprio contrato. Ele está à frente do próprio desenvolvimento, isso envolve muita responsabilidade e também autonomia nesse processo de crescimento. Estamos aqui para prestar esse apoio e oferecer essas ferramentas, mas é ele quem está ali protagonizando”.
Apoiando jovens em vulnerabilidade social
O acolhimento é especialmente relevante quando se considera o contexto social de parte desse público. A Aprendizagem Profissional é uma política pública de inclusão no mercado de trabalho e prevê prioridade, em determinadas modalidades de contratação, para adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade ou risco social. Entre os grupos contemplados pela legislação estão pessoas egressas do trabalho infantil, jovens em acolhimento institucional, adolescentes cumprindo medidas socioeducativas e integrantes de famílias beneficiárias de programas de transferência de renda. “Durante todo esse período de contrato, nós não atuamos apenas com os jovens, mas também com a empresa. Então, se esse aprendiz tem alguma questão de desempenho, frequência, questões comportamentais ou até mesmo emocionais, também atuamos em parceria, justamente para garantir essa assistência integral, não só na parte teórica, mas também na prática”, explica Isabelly Gomes, psicóloga da unidade do Centro.
Essa intermediação também se relaciona com o propósito de equilibrar as oportunidades para quem vive em condições mais sensíveis, podendo apresentar dificuldades de deslocamento, questões familiares e outros aspectos. “A gente tenta ter uma relação de parceria com as empresas. Às vezes, o jovem apresenta algum comportamento julgado como inadequado, então a companhia contata o Saber. Temos esse trabalho de fazer a comunicação direta com o jovem. Conversamos, tentamos orientá-lo sobre aquele comportamento talvez não ser o esperado para o ambiente profissional, compreender o porquê e qual ajuste deve ser feito nessa postura, e passamos o retorno para a empresa, tentando sempre manter em comunhão com eles”, detalha Mayara Lemos, psicóloga da unidade Osasco.
O apoio inclui atendimentos individuais, mediação entre jovem, empresa e instituição de ensino, suporte em situações de vulnerabilidade e ações preventivas relacionadas. “O jovem chega inseguro, com muitas dúvidas e questionamentos, sem entender qual é o seu papel. Para nós, é um privilégio participar desse processo de orientação e acompanhamento, para ver a evolução desse aprendiz, para ele se transformar em um profissional, mas também em um cidadão”, reflete Diane Queiroz, psicóloga da unidade Jundiaí.
A saúde mental é outro aspecto importante desse suporte. O primeiro emprego pode trazer dúvidas sobre como agir, como se comunicar e lidar com cobranças. Ter um espaço de escuta ajuda a reconhecer dificuldades e a buscar apoio antes de comprometer sua experiência. “Eu acredito que a saúde mental está muito ligada ao dia a dia dos jovens e de qualquer profissional. Então é importante esse acompanhamento para eles se sentirem acolhidos, apoiados e orientados de como podem se desenvolver cada vez mais”, complementa Mayara de Camargo, psicóloga da unidade do Centro.
A presença do Saber em diferentes regiões de São Paulo amplia o acompanhamento
A atuação do Núcleo Psicopedagógico se concretiza em diferentes unidades do Saber Aprendizes, aproximando o trabalho da instituição das realidades vividas pelos jovens. Essa presença na capital, na região metropolitana e no interior paulista reforça a importância de um acompanhamento atento às necessidades de cada participante. O Saber também está presente em cidades de outras regiões do Brasil, como Salvador e Rio de Janeiro.
“Para mim, o nosso acompanhamento psicopedagógico contribui, sim, para a permanência do aprendiz no contrato, justamente porque permite identificar situações antes delas levarem o jovem a se afastar ou até mesmo a desistir do programa. A partir do momento no qual ele encontra um espaço para orientação, ele consegue compreender melhor suas vivências e passa a lidar melhor com essas situações”, salienta Danielly Pires, psicóloga da unidade Santo André.
Elane Silva, psicóloga da unidade de Campinas, mostra como essa atuação pode fazer diferença a partir de um exemplo prático. “Em um dos casos, o jovem estava enfrentando algumas questões pessoais e logísticas para comparecer à empresa e desenvolver o trabalho com mais qualidade. Ele tinha um certo receio de como pontuar o assunto e isso estava prejudicando, de alguma forma, o desenvolvimento dele. Foi feito um acolhimento, ele foi orientado e direcionado sobre quais passos ele poderia tomar. Reforçamos como ali era um ambiente seguro, onde ele poderia expor as limitações. Posteriormente, acompanhamos uma evolução, houveram algumas mudanças e esse jovem segue se desenvolvendo”.
Essas experiências também revelam o valor do trabalho preventivo. Ao manter uma relação próxima com os participantes, o Núcleo Psicopedagógico pode ajudar a identificar necessidades antes delas se agravarem, sem perder de vista as responsabilidades do contrato e os objetivos da formação. Trata-se de combinar orientação e autonomia: oferecer ferramentas para enfrentar as situações, compreender as expectativas profissionais e desenvolver recursos para tomar decisões. “Nós todos temos muitas questões emocionais e com o trabalho, às vezes é o primeiro emprego desse jovem. As ações diárias mostram como nós estamos aqui à disposição para eles se tornarem mais confiantes e sentirem esse apoio aqui para crescer nesse ambiente de aprendizagem”, finaliza Larissa Alves, psicóloga da unidade do Centro.
Ao reunir profissionais de diferentes unidades, o Saber evidencia como a aprendizagem profissional vai além da preparação técnica. Aqui, o acompanhamento psicopedagógico busca criar condições para os jovens fortalecerem a confiança e encontrarem caminhos para enfrentar os desafios dessa etapa. É um trabalho construído diariamente, em parceria com os aprendizes e as empresas, para a experiência profissional se tornar também uma oportunidade de crescimento humano e de construção de novos projetos de vida.
Para conhecer mais sobre essa e outras iniciativas sociais do Saber Aprendizes, acesse saberaprendizes.org.br.